Vencedor do prêmio Viva Voluntário, projeto Amigos do Bem cria a própria revolução no sertão nordestino

Por Saliha Rachid

Projeto tem 9.200 voluntários ativos e atende 75 mil pessoas por mês em uma das partes mais carentes da região Nordeste


Em 1993, um grupo de amigos de São Paulo, liderados pela empresária Alcione Albanesi, realizou sua primeira ação de voluntariado no sertão nordestino. Desde então, não pararam mais: já são 25 anos ininterruptos de intervenção positiva na região. 

O grupo de amigos se tornou a instituição Amigos do Bem, que tem sede em São Paulo, e atua em Pernambuco, Alagoas e Ceará, visando combater a fome e a miséria por meio da inclusão social. Para alcançar esse objetivo, a organização trabalha com 4 pilares: educação, trabalho, saúde e infraestrutura (no projeto “Cidades do Bem”). A ideia é ajudar e também instrumentalizar as populações para que a mudança de vida seja contínua e atinja as futuras gerações, consolidando o ideal de sua fundadora.

O atual diretor, Alceu Caldeira, conta que a instituição já atendeu cerca de 1,5 milhão de pessoas, sendo que hoje 75 mil são atendidas mensalmente. Além disso, criou 4 “Cidades do Bem” e 4 “Centros de Transformação”, que recebe mais de 10 mil crianças e jovens com atividades educativas e culturais. Gera, ainda, cerca de mil empregos por meio das Fábricas de Beneficiamento e das Oficinas de Artesanato e Costura; e possui 9.200 voluntários, o que representa um do maiores grupos sociais ativos do país. 

Como reconhecimento, a Amigos do Bem, venceu o prêmio Viva Voluntário de 2018 na categoria organização social. 


Imagem cedida pela Amigos do Bem

Ações do Bem

A Amigos do Bem acredita que o ser humano é capaz de realizar transformações profundas e por isso percebeu que não bastava entregar cestas básicas, roupas e brinquedos. A instituição conseguiu consolidar projetos nas áreas de educação, saúde, infraestrutura e trabalho, transformando vidas e empoderando pessoas.

“Nosso trabalho possui grandes dimensões e, por isso, são necessários muitos recursos. Nosso desafio é continuar transformando, investindo principalmente na geração de trabalho e em crianças e jovens, para um futuro em que a fome e a miséria sejam lembradas apenas como fatos históricos”, afirma a presidente e fundadora dos Amigos do Bem, Alcione Albanesi.

Centros de Transformação:

A educação é um dos destaques do trabalho da organização e, por isso, foram criados quatro Centros de Transformação, com 3 mil m² e 25 salas de aula, que recebem 10 mil crianças e jovens diariamente, com atividades educativas e culturais. Os centros oferecem atividades extracurriculares e cursos profissionalizantes (como culinária, cabelereiro, informática e manicure). Ofertam, também, bolsas de estudo em instituições de ensino superior parceiras, e já colaboraram para que 160 jovens ingressassem em universidades. 

Imagem cedida pela Amigos do Bem

Trabalho e Renda

Gerar trabalho e renda, contribuindo para a sustentabilidade das comunidades e da instituição é outro ponto fundamental. Por isso, a Amigos do Bem possui 680 hectares de plantação de caju e pimentas, matéria-prima para as fábricas e produção dos produtos artesanais. Os responsáveis pela organização construíram fábricas de beneficiamento de castanhas e doces, além de criarem oficinas de artesanato e costura. Essas ações geram mais de 1.000 empregos numa das regiões mais pobres e desacreditadas do Brasil. A renda advinda da venda dos produtos é reinvestida em projetos da instituição. 

Cidades do Bem

Ao longo dos anos, o trabalho se tornou mais estruturado e foram construídas 4 “Cidades do Bem”: duas localizadas em Pernambuco, uma em Alagoas e outra no Ceará. Como resultado, centenas de famílias deixaram as casas de taipa e barro e hoje vivem em casas de alvenaria. As cidades possuem infraestrutura completa, foram construídas 112 cisternas e 31 poços artesianos. Além disso, seus moradores não passam mais sede, pois 400 milhões de litros de água são distribuídos por ano. 

Saúde

Além da fome e da sede, os moradores dessas regiões sofriam também com a falta de atendimento médico e odontológico. A instituição possui cerca de 200 voluntários da área de saúde cadastrados, que viajam todos os meses ao sertão para realizar atendimentos médicos e odontológicos nos Centros de Saúde. Visitam, ainda, povoados mais afastados para atender pessoas cadastradas pela Amigos do Bem. Anualmente realizam cerca de 21 mil atendimentos e distribuem medicamentos e óculos de grau. 


Imagem cedida pela Amigos do Bem

Os Amigos do Bem

Nada disso seria possível sem a contribuição dos 9.200 voluntários ativos da instituição, que se dividem em 118 grupos de trabalho. Eles vivem em São Paulo  e viajam todos os meses para o sertão para contribuir em diversas ações: arrecadações e distribuição de alimentos, triagem de doações, restauração de brinquedos. O lema da instituição é: “Se não posso fazer tudo que devo, devo, ao menos, fazer tudo que posso”. 


Imagem cedida pela Amigos do Bem